22.abr

Fiscalização aduaneira mais rigorosa expõe erros na importação

O aumento da fiscalização aduaneira no Brasil tem colocado empresas importadoras em alerta. Em um cenário já pressionado pela elevação da carga tributária e custos logísticos, erros técnicos no processo de importação vêm se tornando uma fonte silenciosa de prejuízo, muitas vezes sem que o contribuinte perceba.

A combinação entre maior rigor da Receita Federal e falhas recorrentes na estruturação das operações tem resultado em retenção de mercadorias, autuações fiscais e pagamento de tributos acima do devido.

Importar ficou mais caro, e o problema pode estar nos detalhes

Embora o aumento de impostos e custos seja um fator relevante, especialistas apontam que o maior impacto financeiro muitas vezes está nos erros operacionais e fiscais cometidos durante o processo de importação.

Em muitos casos, empresas acabam pagando mais do que deveriam simplesmente por falhas na classificação, cálculo ou declaração de valores.

Os três erros mais comuns na importação

Com o avanço da fiscalização, três pontos têm concentrado a maior parte das autuações:

1. Classificação fiscal incorreta (NCM)
A escolha inadequada do código NCM pode alterar completamente a carga tributária da operação. Um enquadramento equivocado pode resultar em alíquotas mais altas, exigências adicionais e até penalidades.

2. Base de cálculo equivocada
Elementos como frete, seguro e outros encargos integram a base de cálculo dos tributos na importação. Erros nessa composição podem levar tanto ao recolhimento a menor (gerando autuação) quanto a maior (gerando prejuízo direto).

3. Valoração aduaneira mal estruturada
A Receita Federal pode desconsiderar o valor declarado pelo importador caso identifique inconsistências ou ausência de documentação adequada. Nesses casos, o valor é arbitrado pela autoridade fiscal, normalmente em patamares superiores, aumentando a tributação.

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Consequências: retenção, multas e perda de competitividade

Os impactos desses erros vão além da esfera tributária. Entre as principais consequências estão:

  • Retenção de mercadorias em portos e aeroportos;
  • Aplicação de multas e penalidades;
  • Aumento do custo final da operação;
  • Comprometimento do fluxo de caixa;
  • Perda de competitividade no mercado.

Em operações recorrentes, esses problemas podem se acumular e gerar impactos financeiros significativos ao longo do tempo.

Cobranças indevidas e oportunidade de revisão

Apesar do rigor fiscal, especialistas destacam que nem toda cobrança realizada na importação é necessariamente correta. Em muitos casos, há espaço para revisão técnica dos lançamentos tributários, especialmente quando há erro de classificação ou na formação da base de cálculo.

Isso abre a possibilidade de recuperação de valores pagos indevidamente, além da correção de práticas para evitar novos prejuízos.

A importância da gestão estratégica na importação

Diante desse cenário, a importação deixa de ser apenas uma operação logística e passa a exigir uma gestão jurídica e tributária mais sofisticada.

A análise prévia das operações, a correta classificação fiscal, a estruturação documental e o acompanhamento técnico especializado tornam-se fatores essenciais para reduzir riscos e garantir eficiência financeira.

Com a tendência de intensificação da fiscalização e maior cruzamento de dados por parte da Receita Federal, a margem para erros tende a diminuir. Empresas que não revisarem seus processos podem continuar arcando com custos desnecessários, muitas vezes sem perceber.

Por outro lado, aquelas que adotarem uma abordagem estratégica podem não apenas evitar autuações, mas também identificar oportunidades de economia e recuperação de valores.

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