03.mar

Passivo rural: alongamento da dívida é direito do produtor

Muitos produtores rurais ainda acreditam que a renegociação de dívidas de crédito rural depende exclusivamente da vontade das instituições financeiras. No entanto, o ordenamento jurídico brasileiro estabelece que, diante de dificuldades temporárias causadas por fatores como frustração de safra ou oscilações de mercado, o alongamento do débito é um direito do produtor, e não um favor do banco.

Esse entendimento está consolidado na Súmula 298 do Superior Tribunal de Justiça, que reconhece o direito ao alongamento da dívida rural quando comprovada a incapacidade temporária de pagamento. Na prática, isso significa que, preenchidos os requisitos técnicos e jurídicos, o produtor pode buscar judicialmente a readequação das condições do contrato.

Um caso recente em Santa Catarina reforça essa interpretação. Um produtor afetado pela quebra de safra da soja e do trigo conseguiu na Justiça uma carência de dois anos para retomar os pagamentos, limitação dos juros a 12% ao ano e possibilidade de parcelamento do débito em até 12 anos. A decisão demonstrou que o Judiciário tem reconhecido a necessidade de compatibilizar a dívida com a real capacidade de geração de renda da atividade rural.

+ IRRF dos fornecedores pertence aos Municípios 

Especialistas apontam que o sucesso dessas demandas não depende apenas da invocação do direito, mas da estratégia técnica adotada. É fundamental apresentar laudos agronômicos que comprovem as perdas, perícias que demonstrem a capacidade de pagamento e uma auditoria detalhada dos contratos bancários para identificar eventuais abusos. Essa atuação coordenada entre Direito Bancário e análise técnica do setor produtivo é conhecida como “engenharia jurídica”.

O objetivo não é afastar a obrigação de pagar, mas transformar um passivo asfixiante em uma dívida sustentável, preservando a continuidade da atividade e evitando que a terra, principal ativo do produtor, se torne alvo de execução.

Diante de um cenário marcado por instabilidades climáticas e volatilidade de preços, a informação qualificada e a atuação preventiva tornam-se ferramentas essenciais de gestão. Buscar orientação técnica antes que a situação evolua para um litígio pode ser decisivo para garantir segurança jurídica e manter a viabilidade do negócio rural.

Siga nosso Linkedin e Instagram.