15.jun

NCM errada pode custar caro

A classificação fiscal da mercadoria (NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul) é um dos elementos mais importantes de uma operação de importação. Um erro na definição desse código pode resultar em retenção de cargas, aumento indevido da carga tributária, multas e questionamentos da Receita Federal, comprometendo a rentabilidade de toda a operação.

Toda mercadoria importada ou comercializada no Brasil deve ser identificada por um código específico denominado NCM.

Esse código é utilizado para determinar o tratamento tributário da mercadoria, incluindo:

  • Imposto de Importação (II);
  • IPI;
  • PIS-Importação;
  • COFINS-Importação;
  • ICMS;
  • benefícios fiscais aplicáveis;
  • exigências regulatórias;
  • licenças e certificações necessárias.

Em outras palavras, a classificação fiscal funciona como a identidade tributária do produto.

Onde está o risco?

Muitas empresas acreditam que a classificação fiscal é uma mera formalidade operacional. Na prática, trata-se de uma das etapas mais sensíveis de toda a importação.

Um único dígito incorreto pode resultar em:

  • recolhimento insuficiente de tributos;
  • pagamento de impostos acima do devido;
  • retenção da carga;
  • exigências adicionais da Receita Federal;
  • multas administrativas;
  • abertura de procedimento de fiscalização.

Além dos impactos financeiros, erros de classificação podem comprometer prazos de entrega, contratos comerciais e o fluxo de caixa da empresa.

Fiscalização cada vez mais rigorosa

Nos últimos anos, a Receita Federal tem ampliado os mecanismos de controle sobre operações de comércio exterior.

O cruzamento eletrônico de informações, aliado a sistemas de gerenciamento de risco e inteligência fiscal, permite identificar inconsistências com maior rapidez e precisão.

Quando a Receita entende que a NCM utilizada não corresponde às características reais da mercadoria, pode promover o reenquadramento fiscal do produto e exigir diferenças tributárias, juros e multas.

Dependendo da situação, a penalidade pode representar um custo significativo para a empresa importadora.

O impacto financeiro pode ser expressivo

Em muitos casos, a diferença entre uma classificação correta e uma classificação equivocada representa milhares ou até milhões de reais ao longo do tempo.

Isso ocorre porque a NCM influencia diretamente:

  • alíquotas tributárias;
  • regimes especiais;
  • acordos internacionais;
  • benefícios fiscais;
  • exigências administrativas.

Além disso, uma classificação inadequada pode fazer com que a empresa perca oportunidades legítimas de redução de carga tributária.

Como evitar problemas?

A prevenção passa por uma análise técnica detalhada da mercadoria.

Para uma classificação adequada, é fundamental avaliar:

  • composição do produto;
  • função principal;
  • características técnicas;
  • forma de utilização;
  • regulamentos aplicáveis.

Muitas vezes, produtos visualmente semelhantes podem possuir classificações fiscais completamente diferentes.

Por essa razão, decisões baseadas apenas em descrições genéricas, classificações utilizadas por fornecedores ou práticas de mercado podem gerar riscos relevantes.

+ Exclusão do PIS e da COFINS da própria base de cálculo ganha força no judiciário 

Revisar também pode gerar economia

Além de evitar autuações futuras, a revisão das classificações fiscais já utilizadas pela empresa pode revelar oportunidades de recuperação de valores.

Em determinadas situações, a utilização de uma NCM inadequada resulta no pagamento de tributos superiores aos efetivamente devidos.

Uma análise especializada permite identificar inconsistências, corrigir procedimentos e avaliar possíveis medidas para recuperação de créditos ou redução de custos futuros.

Segurança jurídica começa na classificação correta

Em um cenário de fiscalização cada vez mais intensa, a classificação fiscal deixou de ser uma etapa meramente operacional e passou a ocupar posição estratégica dentro das operações de comércio exterior.

Uma NCM correta não apenas reduz riscos de autuações e multas, mas também garante maior previsibilidade financeira, segurança jurídica e competitividade para empresas que atuam no mercado internacional.

Por isso, antes de concluir uma importação, vale a pena revisar um detalhe que pode definir o sucesso, ou o prejuízo, de toda a operação.

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