27.jan

Saúde mental no trabalho entra no radar jurídico das empresas

A saúde mental dos trabalhadores deixou de ser apenas uma preocupação de gestão de pessoas e passou a ocupar espaço relevante no Direito do Trabalho empresarial. O aumento dos afastamentos por transtornos psicológicos, como ansiedade, depressão e burnout, acendeu um alerta para empresas que ainda tratam o tema de forma periférica.

Dados recentes do INSS mostram crescimento expressivo de benefícios concedidos por doenças relacionadas à saúde mental, o que impacta diretamente a produtividade, os custos operacionais e, sobretudo, o passivo trabalhista das organizações. Paralelamente, a Justiça do Trabalho tem adotado uma postura cada vez mais rigorosa na análise da responsabilidade das empresas nesses casos.

Na prática, o entendimento predominante é de que o empregador possui o dever legal de garantir um ambiente de trabalho saudável, não apenas sob o aspecto físico, mas também psíquico e organizacional. Metas abusivas, jornadas excessivas, assédio moral, ausência de políticas de apoio e falhas na gestão de pessoas podem ser interpretadas como fatores de adoecimento laboral.

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Com isso, cresce o número de ações trabalhistas que discutem indenizações por danos morais, estabilidade provisória e até a caracterização de doença ocupacional relacionada ao trabalho. Em muitos casos, a condenação decorre não de um único evento, mas da omissão empresarial na prevenção e no acompanhamento da saúde emocional dos colaboradores.

Para o setor empresarial, o tema exige uma abordagem estratégica. Programas de compliance trabalhista, treinamentos de lideranças, canais de escuta ativa, políticas claras de prevenção ao assédio e acompanhamento jurídico especializado passam a ser instrumentos essenciais para mitigar riscos.

Mais do que uma tendência, a saúde mental no trabalho consolida-se como um novo eixo de responsabilidade jurídica. Empresas que se antecipam, estruturam políticas internas e alinham gestão e jurídico não apenas reduzem passivos, como fortalecem sua reputação e sustentabilidade no longo prazo.

No atual cenário, cuidar de pessoas deixou de ser apenas um valor corporativo, tornou-se uma necessidade jurídica e empresarial.

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